quarta-feira, 29 de setembro de 2010

não digas nada




Não digas nada.
Talvez não exista nada, nada,
Nesse reino – que esquecemos - das palavras.
Não digas nada. Essa curva
do teu braço docemente
sobre a curva dos meus olhos
deve dizer o que ainda
felizmente não dissemos.
Não digas nada. Lá fora
a noite corre para onde?
Os homens falam? Existem?
Nada existe. Nada corre.
Está tudo vivo e nós mortos.
Está tudo morto e nós vivos.





Alberto Lacerda


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