terça-feira, 24 de novembro de 2009

Pessoa, perdão génio



"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

...

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.

...

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

...

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. "

(...)





.: Tabacaria - Álvaro de Campos
.: http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/v259.txt







sábado, 21 de novembro de 2009

Audrey Kawasaki



.: Overlap

.: Shewhodares


.: watching you

Audrey Kawasaki is a Los Angeles-based painter, known for her distinctive, erotically charged portrayals of young, adolescent women. Her works are oil paintings, painted directly onto wood panels, and her style has been described as a fusion of Art Nouveau and Japanese manga.


http://www.audrey-kawasaki.com/

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mario is a drug dealer!!!! :O





.: by Ian Summers;
.: "Magic Mushrooms";




quinta-feira, 5 de novembro de 2009

hearts a mess



Pick apart , The pieces of your heart , And let me peer inside , Let me in , Where only your thoughts have been , Let me occupy your mind , As you do mine

You have lost , Too much love , To fear, doubt and distrust ,(It’s not enough) , You , just threw away the key , To your heart

You don’t get burned , (’Cause nothing gets through) , It makes it easier , (Easier on you) , But that much more difficult for me , To make you see…

Love ain’t fair , So there you are , My love

Your heart’s a mess , You won’t admit to it , It makes no sense , But I’m desperate to connect , And you, you can’t live like this

Love ain’t safe , You won’t get hurt if you stay chaste , So you can wait , But I don’t wanna waste my love



Marilyn




“ I believe that everything happens for a reason. People change so that you can learn to let go. Things go wrong so that you appreciate them when they’re right. You believe lies so you eventually learn to trust no one but yourself and sometimes good things fall apart so better things can fall together."
— Marilyn Monroe

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

quatro


"Isto é história, boa história, nada que lembre ao diabo, nada que lembre a ninguém. Agora são quatro, seriam bons, se alguém um dia não saísse dos tons, se alguém um dia não marcasse os dedos, na cara e nos sonhos de alguns. Mas não há mal que sempre dure, nada há que Deus não cure…
E agarro na mão, o criador, dou passos mais fundos, mais firmes, mais firmes, mais firmes…Desfaço-te as costas em sonho e rio e sorrio e repito amanhã. Se alguém perguntar onde pára o pecado direi que engoli a maça.Eu vi, eu senti, estou certo do que sei, agora são bons, agora são sons, que brincam à volta do rei.
EU DESCANÇO EM BRAÇOS DE CALMA
EU CONSTRUO MURALHAS NA ALMA"




Manel Cruz; Ornatos Violeta; Raridades.